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sábado, 1 de novembro de 2008

Era uma vez... Amores prontos de fábrica!


Tive que refletir sobre um comentário postado no texto anterior. Na verdade, esta é uma reflexão antiga e custosa. Mas por que não investigar mais profundamente o assunto?


O que nos faz crer que existem príncipes encantados?
Não existem príncipes encantados!


Nós mulheres aprendemos desde muito cedo a esperar pelo príncipe encantado de nossas vidas. Isso acontece, muito provavelmente, em função das inúmeras histórias infantis com as quais temos contato desde pequenas. Cinderela, Branca de Neve, Bela Adormecida, Rapunzel e mais um sem fim de outras personagens de contos de fada povoam a mente feminina com sonhos e expectativas de um dia serem salvas de um monstro, madrasta, bruxa ou dragão de plantão!


Geralmente oferecemos contos de fadas às crianças numa tentativa de fazê-las vivenciar as histórias para terem um palco onde possam trabalhar certos conflitos. Entretanto, tais contos, em sua origem, começaram a ser lidos entre adultos à guisa de entretenimento, em salões de conversas. Possuíam conotações muitas vezes pesadas, de cunho voyerístico ou exibicionista, chegando até mesmo à violência sexual; vide Chapeuzinho Vermelho. O tempo fez seu trabalho e algumas destas histórias sofreram mudanças para adaptar-se às novas demandas, sendo então consideradas úteis para crianças, uma vez que começavam a expor certas lições de conduta e comportamento. Sinistro isso...


Perguntem-se por um momento: Em que me pareço com a Bela Adormecida ou com qualquer uma dessas infelizes? Sim, elas são um bando de mulheres coitadinhas, infelizes ou preguiçosas! Leiam as histórias novamente em caso de dúvidas!


Acho, pessoalmente, uma má idéia fazer isso com os homens, mas levei tempo para entender esse processo, pois fui adestrada para esperar que um dia o tal príncipe aparecesse. Homens e mulheres possuem expectativas mais ou menos iguais no que diz respeito à conquista amorosa. Todos desejamos ser felizes, plenos e certeiros na escolha da pessoa amada. No entanto, quando partimos em busca de uma pessoa queremos que venha preencher nossas vidas cheias de lacunas feitas por nós mesmas; tendemos a jogar a responsabilidade sobre os ombros do outro, no caso os homens! E sabemos bem como fazer isso. Não é bom!


Vejam se querem mesmo uma relação com um destes príncipes ou homens de papel:


O da Branca de Neve: Deixou-a esperando num caixão, semimorta e engasgada, em busca de auxílio.
O da Cinderela: Flertou com as irmãs da Gata Borralheira e com quase todas as súditas, além de ter tido inúmeras crises com o ‘papai’ antes de tomá-la como esposa.
O da Rapunzel: Fez a moça jogar as enormes tranças pela janela para que então pudesse subir por elas e salvá-la... Ai que dooooorrrrrrrr!
O da Bela Adormecida: A moça ficou dormindo por 100 anos até que ele conseguisse encontrá-la e despertá-la. Ô demora...


Mulheres atenção! Essa é a melhor e mais eficaz receita para a frustração amorosa e o melhor modo de transformar homens em sapos! Não depositemos na conta masculina nossas debilidades infantis! Melhor seria resolvermos a questão, buscando dentro de nós as lacunas e preenchê-las com mais de nós mesmas: mais amor-próprio, verdade, valor, autoconhecimento. Se o fizermos, muito antes de nos sentirmos sozinhas, já teremos dissolvido esses padrões. E para aquelas que têm filhas mulheres, pensem bem antes de educá-las para amar segundo a Ordem Social dos contos de fadas!


Os homens não têm que ser a salva-guarda feminina, a panacéia de barba ou o elixir de testosterona, os homens devem ser apenas os homens, e nós, apenas as mulheres.


É fácil fazer isso?
Não, a vida não é fácil e nem têm garantias, mas é mais honesto. Homens de verdade, de carne e osso, como eu ou você, são bem mais interessantes, porque são simplesmente reais!


Flô